quarta-feira, 11 de outubro de 2017

UMA BOA NOVA: ACADEMIA ESTUDANTIL DE LETRAS. Por José Renato Nalini*

As Academias de Letras são instituições multisseculares. O nome deriva da Escola de Platão, no Jardim Akademos, com suas aulas sob as árvores, num período áureo da civilização. Ganharam expressão na França, onde adquiriram a feição que ainda hoje ostentam: cátedras sob o patronato de um nume tutelar, providas por acadêmicos cuja responsabilidade é manter viva a memória do nome da Cadeira, de seus sucessores e de disseminar letras, artes, cultura em geral.

A Escola Estadual Alberto Cardoso de Mello Neto foi a primeira a assumir o compromisso de fundar uma Academia Estudantil de Letras, que tem como inspiração a escritora Ruth Guimarães. Inicia com onze titulares do 2º ano do Ensino Médio, cada qual responsável pela escolha de um escritor que eles chamam de "amigo literário". Com o intuito de preparar novas gerações de acadêmicos, cada titular tem um suplente do 6º ano do ensino fundamental.

À cerimônia de instalação compareceram os familiares dos acadêmicos, todos eles devidamente trajados com suas vestes talares, ou cerimoniais. O ineditismo nas Escolas Estaduais e o desvelo com que se cuidou dessa investidura merecem nominal menção dos onze primeiros acadêmicos e de seus "amigos literários". São eles Kethylen Santos Lima da Silva (Ruth Guimarães), Yuri Barletta (Mia Couto), Alana Vitória Ramos (Carlos Drummond de Andrade), Otávio Rodrigues Borba (Ariano Suassuna), Gabriel Dias Trevisan (Jorge Amado), Luiz Hiago Silva dos Anjos (Carolina Maria de Jesus), Ana Beatriz Fernandes Cândido (Monteiro Lobato), Lidia Silva Nascimento (Mauricio de Sousa), Letícia Ferreira da Silvas Lima (Ruth Rocha), Eric do Carmo Moutinho (Euclides da Cunha) e Vitória Pinheiro Araújo (Clarice Lispector).

Após a posse e compromisso, cada jovem acadêmico falou brevemente sobre sua escolha. Foi alentador verificar que alunos do segundo ano do Ensino Médio têm desenvoltura para falar sobre escritores famosos, conseguem fazer uma síntese de uma vida exuberante como a de seus patronos, extraem analogias entre o tempo em que eles produziram sua obra e nosso momento brasileiro.

O projeto se insere no Programa "Escola da Família", com o intuito de fazer com que os pais, principalmente eles, mas também outros familiares e amigos, além de toda a comunidade, também participem das atividades de uma Academia de Letras. É uma promissora estratégia pedagógica, de caráter lúdico, hábil a aprimorar o uso da linguagem escrita e oral, a despertar para a cultura, para a arte e para o belo. Favorecer o convívio e a troca de ideias. Formar uma comunidade de leitores, pois a leitura é a mais eficiente dentre as fórmulas para aprender e para melhor conhecer o mundo.








José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação. 
Visite o blog: renatonalini.wordpress.com.


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